Os empresários do bem

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mulapadre(Enviada por Judite Lopes) – Visitante costumeira de Cambuquira, venho testemunhando a decadência da cidade ano após ano e sempre me chocou a submissão do seu povo ao estado atual das coisas.

Um morador antigo, desses de rolar cigarrinho de palha no canto da boca, explicava que muita gente não quer que a cidade vá pra frente. Eu ria, balançava a cabeça e achava que ele estava caduco. Até que, no último carnaval, ele me contou a seguinte história:

– Olha, tem um mercadinho aqui na cidade que estava mal trabalhado e o dono resolveu vender. Uma rede varejista de Varginha se interessou em comprar e ampliá-lo. Entretanto, outro sujeito, dono de um grande supermercado de Cambuquira, cobriu o preço e ficou com o negócio. Mas não foi para investir, foi para fechá-lo. Acabou com o mercadinho. Comprou pra gente não receber novos investimentos, não ter um local de compras mais moderno e barato, não ter novos empregos e não arrecadar mais impostos. Entende agora o que digo? Tem gente na cidade lutando contra ela – concluiu, acabrunhado.

Diante de uma aberração dessas, fiquei muda. Num momento em que a cidade está praticamente moribunda, qualquer investimento externo sadio deveria ser recebido com vivas e queima de fogos, e não, ser sabotado.

Preparava-me para voltar a São Paulo, na quinta-feira, quando outro amigo, um pastor, vendo-me meio macambúzia, perguntou se estava tudo bem. Contei a ele da minha decepção com os empresários da cidade. Ele sorriu e falou:

– Jud, não é bem assim. É verdade que esse comerciante só está pensando no umbigo dele. Mas, veja outros casos: uma loja de material de obras no bairro da Regina Coeli foi comprada pelo mais antigo empresário do ramo na cidade. Também podia ter fechado a loja concorrente. Mas preferiu reformá-la, ampliá-la, criou empregos. Um outro empresário tem várias farmácias na cidade. Podia ter apenas uma, e seu lucro seria praticamente o mesmo. Mas lá está ele ajudando a economia da cidade a girar. Existem outros exemplos. Deus nos deu estes “empresários do bem” para inspirar aqueles que ainda não chegaram lá.

Peguei a Fernão Dias bem mais animada, graças ao exemplo dos bons empresários. E pensei: na Cambuquira atual, mentalidade tacanha está fazendo mais mal que praga de padre.


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