O fim da palhaçada

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Nem Cambuquira, nem Caxambu: a água mineral
oficial da Copa 2014 será a São Lourenço.

Desde que o prefeito Evanderson ‘Kaka’ Xavier (PT) chamou as luzes da imprensa petista para uma entrevista coletiva e fez pose de grande articulador, propondo a Cambuquira como marca de água oficial da Copa 2014, muita gente ficou deslumbrada, mas alguns alertaram: não pode, é papo-furado.

Com efeito, para um produto se tornar oficial da Copa é necessário pagar milhões de euros à Fifa, e não um abaixo-assinado bobinho na internet. Pior ainda se considerarmos que a “melhor água do planeta” (outra bobagem dos gabinetes municipais) sequer tem valor comercial e nem é engarrafada.

Na semana passada, o primeiro choque de realidade para os cambuquirenses revelou a fragilidade política do prefeito e seus deputados de apoio: os parlamentares estaduais da Comissão de Turismo propuseram oficialmente a água mineral de Caxambu (e não a de Cambuquira) para a Copa.

Agora, mais choro e ranger de dentes: o presidente da Nestlé, multinacional que explora as fontes de São Lourenço, acabou com o “circo” ao declarar nesta semana que pretende lançar a sua água como a oficial da Copa, o que lhe é facilitado, antes de tudo, por ser um dos patrocinadores do evento. Pagou alto pelo privilégio. Água oficial em 2014 – muita gente avisou – não é caso de pistolãozinho de político do interior, mas de interesses do mercado mundial.

O que provoca repugnância nessa história é a manipulação das pessoas ingênuas pelos políticos, aventando ao povo possibilidades que sabem não existir. E causa consternação, pena mesmo, ter visto tanta gente boa e bem intencionada absolutamente iludida, sem dar chance à razão, mesmo com tantos avisos. Fica a dúvida do que é pior: a artimanha ou a tolice. Cambuquira, de todos os lados, abusou de ambas. Está na hora de amadurecer.


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